No dia em que o Mundo se tornou adulto
O mundo tornou-se adulto! Nota-se nas suas conversas sérias, na postura teatralmente recta e nos podres que se vão conhecendo com indiferença. Está doente e não tem ninguém que o leve ao médico, porque já não é criança. Tem problemas, mas… quem não os tem… ninguém se importa de forma especial com os problemas que são DELE.
O Mundo cresceu, eu gosto do Mundo, mas recuso-me a crescer com ele.
No meu mundo de criança (ou de brincadeira) há sol todos os dias, não há nuvens vulcânicas.
No meu mundo as pessoas são felizes, realizadas, fazem o que gostam e têm amigos e família que se importam realmente com a sua felicidade, não há crianças órfãs nem pessoas a passar fome.
No meu mundo não há desgraças… apenas desafios para nos tornar fortes e a vida ter interesse e objectivos (dar “pica”). No meu mundo não se atropelam pessoas, apenas preconceitos.
O meu mundo é saudável e ao primeiro espirro, todos corremos para o médico, tal qual mães e pais galinhas (e galos). No meu mundo os terroristas transformaram-se há muito em pessoas com convicções fortes que canalizam a sua energia para fomentar o bem em que acreditam, independentemente dos outros acreditarem ou não.
O meu mundo não tem urânio enriquecido, petróleo ou ouro e por isso é rico.
No meu mundo de criança sou tão feliz… posso ficar aqui? Fingir que toda a gente vive no meu mundo e indignar-me com a infelicidade, o entorpecimento e a falta de brincadeira dos “crescidos”?
Bem vinda de volta!
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