Alguém tem sombras para dar?
Não sei se já perceberam, mas eu não falo praticamente do que se passa durante a semana! É que isso é um pouco chato, pouco interessante e a única diferença para o que costumo fazer em Portugal é que não posso andar à vontade na rua, não bebo café de jeito e estou numa casa entaipada e com seguranças estranhos à porta.
Mas como já passou mais um fim-de-semana, terei mais coisas um pouco mais interessantes para contar. Na quinta-feira, como o chefe não podia ir jantar, fui jantar com o resto do pessoal da Capgemini que cá está. Fomos ao restaurante tia Maria, que tem à venda umas telas fantásticas, a preços razoáveis. Se não fosse o problema que seria provavelmente transportá-las teria comprado uma. Disseram-me que eles normalmente as tiram das molduras para as levarmos mas de qualquer forma, seria complicado. O pessoal começou a gozar comigo por escolher um “prego no prato (bitoque)” que estava na lista. Uns pediram espetadas e outros lagosta. No final o pessoal das espetadas olhava para o meu “prego” que se tratava na realidade dum bife alto e muito tenro, e tentava mastigar a carne de espetadas que ao que parece não estava grande coisa. Como sou rapariga de estômago pequeno, especialmente para as doses que aqui servem, deixei metade do meu bife a um deles. O pessoal estava bastante cansado, pelo que foi outra 5ª feira sem Palos, mas eu própria não me iria aguentar nas pernas! Os meus colegas convidaram-me para ir jantar com eles ao chillout e dançar um pouco no dia seguinte. Na 6ª feira, lá para meio da tarde, telefonei para o chillout a fim de reservar mesa para 6 pessoas, mas já não aceitavam reservas, estava cheiro. O senhor ainda me garantiu que se eu chegasse lá às 20h arranjaria mesa de certeza. Mas 1º, onde já se viu consultores chegarem a um local para jantar às 20h e depois desconfiei que o senhor se tinha “esquecido” de mencionar “de certeza que arranja mesa se esperar 3 horas”. Como tal, mudança de planos e reserva feita no “cais de 4”, local onde teríamos ido na 5ª feira se não fosse estar cheio também. Mas desta vez parece que tivemos sorte e afinal a mesa era para 9 pessoas, mais 3 companheiros de janta que ainda não conhecia e passei a conhecer. Ora, para quê falar de mais alguma coisa, quando o cais de 4 é conhecido pelo seu “petit gateaux”? Ainda não sabia onde era e como era o restaurante e já tinha instruções de que no cais de 4 é obrigatório provar essa maravilha! E estava realmente uma delicia! Ai de quem se atrever a mencionar os quilitos a mais que levarei comigo para Portugal!!!! Ah, além disso provei uma caipirinha de maracujá deliciosa!
Depois de ingerir bastantes calorias, nada melhor que um pezito de dança! Como ainda era cedo, decidimos não ir logo para o chillout e demos os 10 passitos necessários (a pé! Incrível!!!) para entrar no Bay in. Por aquela altura ainda estava “pouco povoado”, mas entretanto encheu. Umas horitas mais tarde e estava na hora da minha retirada! Eles ainda lá ficaram e o motorista dum colega veio simpaticamente levar-me a casa! (ah, não, afinal essa é mesmo a função dele! Bolas! Porque é que não pode haver pessoas altruístas nesta terra?)
Sábado praia na ilha. Domingo, praia no Mussulo. O Mussulo é muito giro! Embora não seja uma ilha, a maioria das pessoas vão e voltam de barco. De carro é possível, fazendo um caminho por uma língua de areia, que também dizem que é uma viagem fantástica, mas menos prática. Fomos de barco. Há tantos anos que não andava de barco!!! (os cacilheiros não contam) Lá fomos nós numa espécie de barco de pesca. A condução de barcos sofre do mesmo mal que a dos carros. Há uma zona que, como tava maré baixa é conhecida por muitos barcos encalharem em bancos de areia, mas nem isso levou o nosso barqueiro a reduzir a velocidade, pelo que fui aconselhada a agarrar-me bem porque o embate áquela velocidade num banco de areia não seria uma coisa bonita! Felizmente escapámos ilesos e lá chegámos ao Mussulo. Um barzito na praia muitas cadeiras e chapéus de palha. Lá ocupámos as cadeiritas que felizmente ainda não estavam ocupadas (sim, não sei como alguém sobreviveria ali hoje sem sombra) e fomos dar um passeio pela beira mar. Fui com mais 3 pessoas ao que se chama “contra costa) que no fundo é o outro lado da língua de areia, virada para o oceano e portanto com água mais passível de refrescar. No entanto o caminho de ida e volta queimava os meus pés, mesmo com chinelos, o que não foi lá muito agradável. Mas enfim, prosseguindo. Ficámos até às 17h, altura em que tínhamos combinado com o nosso barqueiro que ele nos viria buscar. E sabíamos que ele viria mesmo porque lhe dissemos que lhe pagaríamos apenas na vinda. Se ele queria receber o valor das viagens de ida, teria mesmo de nos ir buscar. Se estive 1h no total ao sol, já foi muito. E mesmo assim, penso que foi uma sorte não ter apanhado uma insolação ou um escaldão! Estava mesmo insuportável ao sol!
Bem, falta uma semanita para voltar! Já estou com imensas saudades de tudo e todos. E ainda não vos contei os fascinantes significados das buzinas, sinais de luzes e coisas afins! Se tiver um tempinho e a paciência durante a semana, escreve sobre isso. É algo realmente fascinante! Bem, agora acho que está na hora da caminha que amanha é para estar a pé às 6h!!! Na realidade não custa muito e por vezes até se acorda antes sem despertador porque a luz do sol insiste em aparecer a horas indecentes e depois vai-se por volta das 18h30!!! E como esta gente não conhece o que são estores e os cortinados, mesmo opacos não resolvem a questão, lá estamos nós de pestana aberta bem cedinho! Por isso é que este sentimento invulgar em mim, que se chama sono antes das 2h da manhã, aqui me ataque frequentemente! Bem, estamos quase, quase a ver-nos!!!! Já vou fazendo o meu count down!!!! Acho que levo desta primeira estadia imensas, mas mesmo muitas coisas boas! Recordações bem bonitas. As paisagens dos locais que visitámos nos fins-de-semana prolongados, as pessoas caricatas que conheci, o calor dos colegas que ajudam a estar em Luanda mas pensar em civilização e que nunca nos deixam ficar sozinhos ou tristes!
Jinhos grandes para todos!
Mas como já passou mais um fim-de-semana, terei mais coisas um pouco mais interessantes para contar. Na quinta-feira, como o chefe não podia ir jantar, fui jantar com o resto do pessoal da Capgemini que cá está. Fomos ao restaurante tia Maria, que tem à venda umas telas fantásticas, a preços razoáveis. Se não fosse o problema que seria provavelmente transportá-las teria comprado uma. Disseram-me que eles normalmente as tiram das molduras para as levarmos mas de qualquer forma, seria complicado. O pessoal começou a gozar comigo por escolher um “prego no prato (bitoque)” que estava na lista. Uns pediram espetadas e outros lagosta. No final o pessoal das espetadas olhava para o meu “prego” que se tratava na realidade dum bife alto e muito tenro, e tentava mastigar a carne de espetadas que ao que parece não estava grande coisa. Como sou rapariga de estômago pequeno, especialmente para as doses que aqui servem, deixei metade do meu bife a um deles. O pessoal estava bastante cansado, pelo que foi outra 5ª feira sem Palos, mas eu própria não me iria aguentar nas pernas! Os meus colegas convidaram-me para ir jantar com eles ao chillout e dançar um pouco no dia seguinte. Na 6ª feira, lá para meio da tarde, telefonei para o chillout a fim de reservar mesa para 6 pessoas, mas já não aceitavam reservas, estava cheiro. O senhor ainda me garantiu que se eu chegasse lá às 20h arranjaria mesa de certeza. Mas 1º, onde já se viu consultores chegarem a um local para jantar às 20h e depois desconfiei que o senhor se tinha “esquecido” de mencionar “de certeza que arranja mesa se esperar 3 horas”. Como tal, mudança de planos e reserva feita no “cais de 4”, local onde teríamos ido na 5ª feira se não fosse estar cheio também. Mas desta vez parece que tivemos sorte e afinal a mesa era para 9 pessoas, mais 3 companheiros de janta que ainda não conhecia e passei a conhecer. Ora, para quê falar de mais alguma coisa, quando o cais de 4 é conhecido pelo seu “petit gateaux”? Ainda não sabia onde era e como era o restaurante e já tinha instruções de que no cais de 4 é obrigatório provar essa maravilha! E estava realmente uma delicia! Ai de quem se atrever a mencionar os quilitos a mais que levarei comigo para Portugal!!!! Ah, além disso provei uma caipirinha de maracujá deliciosa!
Depois de ingerir bastantes calorias, nada melhor que um pezito de dança! Como ainda era cedo, decidimos não ir logo para o chillout e demos os 10 passitos necessários (a pé! Incrível!!!) para entrar no Bay in. Por aquela altura ainda estava “pouco povoado”, mas entretanto encheu. Umas horitas mais tarde e estava na hora da minha retirada! Eles ainda lá ficaram e o motorista dum colega veio simpaticamente levar-me a casa! (ah, não, afinal essa é mesmo a função dele! Bolas! Porque é que não pode haver pessoas altruístas nesta terra?)
Sábado praia na ilha. Domingo, praia no Mussulo. O Mussulo é muito giro! Embora não seja uma ilha, a maioria das pessoas vão e voltam de barco. De carro é possível, fazendo um caminho por uma língua de areia, que também dizem que é uma viagem fantástica, mas menos prática. Fomos de barco. Há tantos anos que não andava de barco!!! (os cacilheiros não contam) Lá fomos nós numa espécie de barco de pesca. A condução de barcos sofre do mesmo mal que a dos carros. Há uma zona que, como tava maré baixa é conhecida por muitos barcos encalharem em bancos de areia, mas nem isso levou o nosso barqueiro a reduzir a velocidade, pelo que fui aconselhada a agarrar-me bem porque o embate áquela velocidade num banco de areia não seria uma coisa bonita! Felizmente escapámos ilesos e lá chegámos ao Mussulo. Um barzito na praia muitas cadeiras e chapéus de palha. Lá ocupámos as cadeiritas que felizmente ainda não estavam ocupadas (sim, não sei como alguém sobreviveria ali hoje sem sombra) e fomos dar um passeio pela beira mar. Fui com mais 3 pessoas ao que se chama “contra costa) que no fundo é o outro lado da língua de areia, virada para o oceano e portanto com água mais passível de refrescar. No entanto o caminho de ida e volta queimava os meus pés, mesmo com chinelos, o que não foi lá muito agradável. Mas enfim, prosseguindo. Ficámos até às 17h, altura em que tínhamos combinado com o nosso barqueiro que ele nos viria buscar. E sabíamos que ele viria mesmo porque lhe dissemos que lhe pagaríamos apenas na vinda. Se ele queria receber o valor das viagens de ida, teria mesmo de nos ir buscar. Se estive 1h no total ao sol, já foi muito. E mesmo assim, penso que foi uma sorte não ter apanhado uma insolação ou um escaldão! Estava mesmo insuportável ao sol!
Bem, falta uma semanita para voltar! Já estou com imensas saudades de tudo e todos. E ainda não vos contei os fascinantes significados das buzinas, sinais de luzes e coisas afins! Se tiver um tempinho e a paciência durante a semana, escreve sobre isso. É algo realmente fascinante! Bem, agora acho que está na hora da caminha que amanha é para estar a pé às 6h!!! Na realidade não custa muito e por vezes até se acorda antes sem despertador porque a luz do sol insiste em aparecer a horas indecentes e depois vai-se por volta das 18h30!!! E como esta gente não conhece o que são estores e os cortinados, mesmo opacos não resolvem a questão, lá estamos nós de pestana aberta bem cedinho! Por isso é que este sentimento invulgar em mim, que se chama sono antes das 2h da manhã, aqui me ataque frequentemente! Bem, estamos quase, quase a ver-nos!!!! Já vou fazendo o meu count down!!!! Acho que levo desta primeira estadia imensas, mas mesmo muitas coisas boas! Recordações bem bonitas. As paisagens dos locais que visitámos nos fins-de-semana prolongados, as pessoas caricatas que conheci, o calor dos colegas que ajudam a estar em Luanda mas pensar em civilização e que nunca nos deixam ficar sozinhos ou tristes!
Jinhos grandes para todos!
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