A Lei do "pãozinho sem sal"
Mas está tudo doido? Não queria acreditar no que os meus ouvidos estavam a receber quando me levantei hoje! Sou só eu que acho esta lei no mínimo estúpida? A seguir vão legislar sobre o quê? O limite de neurónios para estar na política?
Parece-me claramente uma interpretação abusiva da actuação do legislador sob o pretexto da saúde pública. Ou muita falta de imaginação dos legisladores. Limitar a quantidade de sal (por LEI) a colocar no pão devido à hipertensão, assemelha-se a determinar que quando qualquer pessoa partir uma perna, o procedimento a adoptar é amputá-la.
Analisei a cena sobre 2 prismas e concluí que alguém irritou muito uma pessoa importante (possível justificação para tamanha estupidez de lei). Isso, ou alguém estava com muito pouco para fazer e ninguém lhe impôs limites à quantidade de disparates que podia fazer. Voltando ao tema, analisemos a questão sob o prisma económico e sobre o prisma social.
Mas primeiro tenho de fazer um parêntesis. Eu acredito piamente que a quantidade de sal normalmente colocada no fabrico do pão seja excessivo e que, pela importância que o pão tem na nossa dieta, isso possa constituir um argumento de perigo para a saúde pública que justifique a legislação! De acordo até aqui! Ora, parece-me natural que a resolução deste problema de saúde pública passe por:
1) Informar as pessoas de qual a quantidade aconselhável de sal por Kg de massa de pão de forma a que não disparem as hipertensões neste mundo;
2) Legislar no sentido de ser obrigatória a informação da quantidade de sal por kg de massa do pão que é vendido.
Eu sei que o povo português nunca foi condecorado pelo seu brilhante bom senso, mas em quase tudo me parece existir o princípio de as pessoas estarem informadas do mal ou bem que as coisas fazem e fazerem as suas escolhas em consciência. Temos uma lei a limitar a quantidade de carne que as pessoas devem ingerir numa refeição? Temos uma lei que determine a quantidade mínima de legumes que devo ingerir por dia? Parece que não! Mas esta lei pode abrir o precedente, claro! Foi o meu primeiro pensamento quando ouvi a noticia.
As minhas diversas costelas de economista são as que mais ficam chocadas! Desde a idade da pedra que existe comércio! E o comércio é resultado do encontro de quem tem um produto de que pode prescindir e de quem o quer ter. O senhor que pode prescindir dele, fá-lo por um certo “preço”, seja ele o preço como o conhecemos hoje, em numerário, ou o valor correspondente de outros produtos. Quem o quer ter, dá-lhe um valor pelo que está disposto a “pagar” ou a “trocar”. A economia sempre se baseou no facto de certas pessoas detectarem as necessidades de um grupo de outras pessoas e como tal, procurarem satisfazê-las, tendo como proveito, o “valor” pelo qual essas pessoas estão dispostas a ter essa coisa/ satisfazer essa necessidade. Ora o Sr. Padeiro, tem agora umas clientes muito fiéis que adoram pão com mais sal do que deviam, que sabem que isso pode constituir um risco para a sua saúde, mas que estão dispostas a correr esse risco, a “pagar esse preço”, mesmo que ele se chame “morte por hipertensão”. Mas o senhor padeiro não pode vender o pão a essas clientes com alguma falta de bom senso porque se o fizer e os senhores que mandam descobrirem, pode ter de pagar uma multa muito grande… ora ele não é padeiro para andar a pagar multas! Quando era criança pensou “quero dar a comer o melhor pão da cidade e arredores aos meus vizinhos! E ainda vou ficar rico com isso!" Pondo de parte a ingenuidade natural das crianças, parece-me um objectivo tão meritório como outro qualquer!
É claro que se pode argumentar que as senhoras que ingerem pão com muito sal, ao aumentar a sua probabilidade de terem problemas de saúde causados pelo excesso de sal, estão a onerar o erário público devido às despesas com cuidados de saúde. Certo! Mas quem como carne em excesso, verduras em défice, ou hambúrgueres feitos com carne de “coisa” também o faz e ninguém os incomoda por isso ou fecham cadeias americanas de fast food sob o pretexto de perigo para a saúde pública.
O ponto de vista social também me faz umas certas cócegas na espinal-medula. Desde que comecei a saber as leis que existem que penso que, se fosse possível programar o nível de bom senso das pessoas, a maioria das leis era inútil, porque apenas impõem o que o bom senso nos devia dizer e levar a fazer, para além de, regra geral, limitarem a actuação das pessoas em alturas que o maior dos bom sensos dizem que devíamos fazer doutra forma (é um custo das leis aceitável, na maioria dos casos tendo em consideração o bem maior que provocam nos restantes casos). Mas não é legislando sobre tudo que se fomenta o bom senso das pessoas, pelo contrário. O bom senso fomenta-se através da informação sobre os riscos e sobre as vantagens das coisas e disponibilizando toda a informação necessária para que a pessoa tome decisões em consciência.
Eu não chego ao ponto de achar que isto é um atentado à liberdade individual! Epah, se quiser pão com mais sal, só preciso de comprar os ingredientes e fazê-lo em casa que ninguém me multa. Mas que é um atentado aos princípios da economia e do comércio e um atestado de burrice passado a toda a população, lá isso é capaz de ser. O princípio que está na base da lei até pode ser muito meritório, mas penso que escolheram o caminho errado! Será possível que ninguém se tenha lembrado que exigir a informação sobre a quantidade de sal e até a quantidade recomendada não poderia servir para regular o sector e prevenir alguns ataques cardíacos? A exposição prolongada ao sol também é prejudicial à saúde, senhor legislador, pense nisso enquanto vive no seu mundo das leis! Talvez possa escrever nos seus papelinhos para se construir um toldo à escala mundial, que previna a passagem dos raios solares para a terra entre as 12 e as 16h! É claro que seria inútil porque deixava de existir mundo… hum… talvez seja melhor multar as pessoas que vão à praia quando o índice de raios UV estão acima de certo patamar! Ou então, deixar a natureza fazer a sua selecção natural e eliminar os seres que não têm bom senso suficiente para sobreviver neste mundo de agressões constantes!
Pondo de parte a ironia que me contagiou nas últimas linhas, parece-me uma lei que impõe restrições ao normal funcionamento de um sub sistema significativo que suporta as sociedades de hoje em dia, desnecessária (mais do que as outras) e que abre um precedente que pode não encontrar limites dentro do razoável!
Foi apenas mais um “colocar no papel” daquelas coisas que me inquietam, chocam, fazem cócegas.
Longe da utopia de ter um mundo perfeito, todos temos capacidades para o melhorar… É difícil? Sim, muito provavelmente mesmo muito difícil. Mas acho que a recompensa é mais do que prometedora.
Parece-me claramente uma interpretação abusiva da actuação do legislador sob o pretexto da saúde pública. Ou muita falta de imaginação dos legisladores. Limitar a quantidade de sal (por LEI) a colocar no pão devido à hipertensão, assemelha-se a determinar que quando qualquer pessoa partir uma perna, o procedimento a adoptar é amputá-la.
Analisei a cena sobre 2 prismas e concluí que alguém irritou muito uma pessoa importante (possível justificação para tamanha estupidez de lei). Isso, ou alguém estava com muito pouco para fazer e ninguém lhe impôs limites à quantidade de disparates que podia fazer. Voltando ao tema, analisemos a questão sob o prisma económico e sobre o prisma social.
Mas primeiro tenho de fazer um parêntesis. Eu acredito piamente que a quantidade de sal normalmente colocada no fabrico do pão seja excessivo e que, pela importância que o pão tem na nossa dieta, isso possa constituir um argumento de perigo para a saúde pública que justifique a legislação! De acordo até aqui! Ora, parece-me natural que a resolução deste problema de saúde pública passe por:
1) Informar as pessoas de qual a quantidade aconselhável de sal por Kg de massa de pão de forma a que não disparem as hipertensões neste mundo;
2) Legislar no sentido de ser obrigatória a informação da quantidade de sal por kg de massa do pão que é vendido.
Eu sei que o povo português nunca foi condecorado pelo seu brilhante bom senso, mas em quase tudo me parece existir o princípio de as pessoas estarem informadas do mal ou bem que as coisas fazem e fazerem as suas escolhas em consciência. Temos uma lei a limitar a quantidade de carne que as pessoas devem ingerir numa refeição? Temos uma lei que determine a quantidade mínima de legumes que devo ingerir por dia? Parece que não! Mas esta lei pode abrir o precedente, claro! Foi o meu primeiro pensamento quando ouvi a noticia.
As minhas diversas costelas de economista são as que mais ficam chocadas! Desde a idade da pedra que existe comércio! E o comércio é resultado do encontro de quem tem um produto de que pode prescindir e de quem o quer ter. O senhor que pode prescindir dele, fá-lo por um certo “preço”, seja ele o preço como o conhecemos hoje, em numerário, ou o valor correspondente de outros produtos. Quem o quer ter, dá-lhe um valor pelo que está disposto a “pagar” ou a “trocar”. A economia sempre se baseou no facto de certas pessoas detectarem as necessidades de um grupo de outras pessoas e como tal, procurarem satisfazê-las, tendo como proveito, o “valor” pelo qual essas pessoas estão dispostas a ter essa coisa/ satisfazer essa necessidade. Ora o Sr. Padeiro, tem agora umas clientes muito fiéis que adoram pão com mais sal do que deviam, que sabem que isso pode constituir um risco para a sua saúde, mas que estão dispostas a correr esse risco, a “pagar esse preço”, mesmo que ele se chame “morte por hipertensão”. Mas o senhor padeiro não pode vender o pão a essas clientes com alguma falta de bom senso porque se o fizer e os senhores que mandam descobrirem, pode ter de pagar uma multa muito grande… ora ele não é padeiro para andar a pagar multas! Quando era criança pensou “quero dar a comer o melhor pão da cidade e arredores aos meus vizinhos! E ainda vou ficar rico com isso!" Pondo de parte a ingenuidade natural das crianças, parece-me um objectivo tão meritório como outro qualquer!
É claro que se pode argumentar que as senhoras que ingerem pão com muito sal, ao aumentar a sua probabilidade de terem problemas de saúde causados pelo excesso de sal, estão a onerar o erário público devido às despesas com cuidados de saúde. Certo! Mas quem como carne em excesso, verduras em défice, ou hambúrgueres feitos com carne de “coisa” também o faz e ninguém os incomoda por isso ou fecham cadeias americanas de fast food sob o pretexto de perigo para a saúde pública.
O ponto de vista social também me faz umas certas cócegas na espinal-medula. Desde que comecei a saber as leis que existem que penso que, se fosse possível programar o nível de bom senso das pessoas, a maioria das leis era inútil, porque apenas impõem o que o bom senso nos devia dizer e levar a fazer, para além de, regra geral, limitarem a actuação das pessoas em alturas que o maior dos bom sensos dizem que devíamos fazer doutra forma (é um custo das leis aceitável, na maioria dos casos tendo em consideração o bem maior que provocam nos restantes casos). Mas não é legislando sobre tudo que se fomenta o bom senso das pessoas, pelo contrário. O bom senso fomenta-se através da informação sobre os riscos e sobre as vantagens das coisas e disponibilizando toda a informação necessária para que a pessoa tome decisões em consciência.
Eu não chego ao ponto de achar que isto é um atentado à liberdade individual! Epah, se quiser pão com mais sal, só preciso de comprar os ingredientes e fazê-lo em casa que ninguém me multa. Mas que é um atentado aos princípios da economia e do comércio e um atestado de burrice passado a toda a população, lá isso é capaz de ser. O princípio que está na base da lei até pode ser muito meritório, mas penso que escolheram o caminho errado! Será possível que ninguém se tenha lembrado que exigir a informação sobre a quantidade de sal e até a quantidade recomendada não poderia servir para regular o sector e prevenir alguns ataques cardíacos? A exposição prolongada ao sol também é prejudicial à saúde, senhor legislador, pense nisso enquanto vive no seu mundo das leis! Talvez possa escrever nos seus papelinhos para se construir um toldo à escala mundial, que previna a passagem dos raios solares para a terra entre as 12 e as 16h! É claro que seria inútil porque deixava de existir mundo… hum… talvez seja melhor multar as pessoas que vão à praia quando o índice de raios UV estão acima de certo patamar! Ou então, deixar a natureza fazer a sua selecção natural e eliminar os seres que não têm bom senso suficiente para sobreviver neste mundo de agressões constantes!
Pondo de parte a ironia que me contagiou nas últimas linhas, parece-me uma lei que impõe restrições ao normal funcionamento de um sub sistema significativo que suporta as sociedades de hoje em dia, desnecessária (mais do que as outras) e que abre um precedente que pode não encontrar limites dentro do razoável!
Foi apenas mais um “colocar no papel” daquelas coisas que me inquietam, chocam, fazem cócegas.
Longe da utopia de ter um mundo perfeito, todos temos capacidades para o melhorar… É difícil? Sim, muito provavelmente mesmo muito difícil. Mas acho que a recompensa é mais do que prometedora.
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