Será preguiça ou falta de desenrascanço?

Eu tendo a irritar-me com certas coisas que até posso fazer naturalmente durante um tempo, mas que invariavelmente me irei em algum momento, questionar porque o faço, de forma tão voluntariosa, quando quem pede, às vezes até mais facilmente ou com o mesmo esforço poderia fazer? Aliás, o esforço até aumenta e se desperdiça, ao pedir e responder ao pedido.

Ok, agora que já baralhei um pouco, passo a dar.

O que move uma pessoa que nos pede as horas quando tem relógio e ele está em pleno funcionamento? Será a preguiça de levantar o braço e olhar para as horas? Não será isso até mais fiável e rápido? Será que é a falta de consciência de que tem um relógio que funciona e que perde menos tempo se o consultar? Será que é por pensar que a outra pessoa o fará melhor do que a própria? Será algum complexo de superioridade que faz com que seja demasiado importante para ver as horas, por isso pergunta a um qualquer súbdito?

Quem diz pedir as horas diz coisas mais elaboradas, que poderão demorar algum tempo, mas nunca mais ou menos consoante a pessoa que o faça (bem, pelo menos não à partida, sendo que a capacidade de desenvoltura da pessoa, pode determinar diferenças bastante consideráveis neste campo). Em algo mais demorado coloca-se a questão do pedido poder ter por base a assumpção de que o tempo da outra pessoa é menos valioso do que o próprio. Ora isto parece-me duma presunção muito… irritante. E estúpida, já que quem pergunta é que quer saber!

Ora o que me faz dizer as horas a alguém, qdo não me interessa nd que horas são? Eu sei, não me custa muito, mas à própria pessoa também não! Com a benesse que eu escusava de ter perdido tempo a ouvi-la e a responder e ela teria ganho tempo pk bastava olhar e não precisava d formular a pergunta e esperar a resposta.

Hoje em dia é comum darmos connosco a pensar em delegar muita coisa da nossa vida pessoal, tal como fazemos na vida profissional. Pode ser por falta de desenrascanço (como no caso do trintão que continua a pedir à mãe que lhe marque a consulta, já que os telefonistas dos centros de saúde são conhecidos por comer trintões solteiros pelo telefone, já para não falar que o próprio telefone é uma ferramenta assustadora), por preguiça (como quando pedimos à pessoa que tá sentada ao nosso lado no sofá para ir à casa de banho buscar o corta-unhas), por (consciente, inconsciente ou falsa) assunção que a outra pessoa é mais qualificada para o fazer (como quando peço a alguém para fazer o jantar) ou (a mais comum hj em dia) por acharmos que não temos tempo para o fazer, que é o mesmo que dizer que é um desperdício do nosso tempo fazê-lo, já que tudo o resto que temos para fazer é mais importante.
Primeiro, se isso não é importante ou é de tudo o que tenho para fazer o menos importante, parece-me óbvio que o mais natural é que não o faça. Segundo, se nem para mim é demasiado importante, o que me leva a crer que será importante o suficiente para outra pessoa o fazer? Terceiro, se a outra pessoa o fizer, estou a gastar “fichas” da consideração e amizade que a outra pessoa nutre por mim, com algo que nem sequer é muito importante. Sim, pk qualquer um se farta de fazer coisas q n têm o mínimo de interesse para si, só pk é útil para outra pessoa – é giro e gratificante a 1ª vez, faz-se bem à 2ª, menos bem à 3ª, a 4ª já custa a engolir e à 5ª mandamos a pessoa à merda. No meu caso, a 5ª costuma vir na 2ª ou 3ª posição! Mas isso sou eu que sou uma intolerante, pouco amiga dos meus amigos, em especial dakeles que não dão importância a coisas relevantes.

Assusta-me especialmente as coisas que as pessoas delegam. E depois ainda se queixam quando as coisas dão pró torto ou ficam mal feitas. Por mais absurdo que seja, acreditem que há mesmo quem delegue a educação dos filhos em pessoas cuja função é ensinar algumas matérias, duma forma pedagógica e depois, quando se apercebem que eles são mal educados, acham que a culpa é das pessoas em quem delegaram… (já para não falar que quando são bem educados, o mérito é dos próprios e não das pessoas em quem foram delegadas essas funções, sem mesmo elas serem tidas nem axadas nessa decisão)
Agora, s a educação dos filhos não era uma das coisas que estava no top das suas prioridades, então porquê queixarem-se? Afinal de contas isso não é assim tão importante!
Outra premissa importante, é que isto é uma importação duma actividade profissional! Delegação de competências. Regra geral, devemos ter em mente que quando delegamos funções em alguém, raramente delegamos responsabilidades. Ora, tenho a responsabilidade de fazer x. Delego x ao sr. xpto. E porque delego x ao sr. xpto? 1º pk é necessário fazer x e 2º pk confio que o sr xpto tem capacidades para o fazer. Se não tiver plena confiança nas suas capacidades, no final dou uma revisão na coisa. Bem ou mal feito pelo sr. xpto a responsabilidade sobre x é minha! E na menor das hipóteses, julguei mal a capacidade do sr xpto fazer x, mas uma coisa é certa! A culpa de x tar mal feito é minha!

Até para delegar há que ter as costas largas! Daí a importância de, para os nossos filhos serem bem sucedidos na vida, os colocar em aulas de natação o mais precocemente possivel!

Falta de tempo, inversão de prioridades… scary! Too scary to want to know what’s comming next!

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