Fim-de-semana #1 - Cabo Ledo, Gabela e afins

Boas!
Depois do primeiro fim-de-semana já tenho muita coisa para contar. Deixem-me dizer que a grande maioria dos comentários e histórias que se ouvem de Angola são certamente muito verdadeiros e visíveis em Luanda. No entanto Angola não é Luanda!
Na quinta-feira fui jantar com o pessoal da Capgemini! Pelo que dizem, quinta-feira é noite de Pallos e os meus colegas estavam radiantes por haver duas pessoas “iniciantes” para levar. No entanto estava um pouco cansada e, como não me vão faltar quintas-feiras cá, vim para casa depois do jantar. Entretanto combinámos ir a Cabo Ledo na sexta.

Reataurante na praia de Cabo Ledo


Na sexta-feira, que foi feriado cá fui com o chefe (mais conhecido por RFA) e mais algumas pessoas da Capgemini a Cabo Ledo. Não sei se estão bem a ver, mas em termos de tempo de viagem é mais ou menos o mesmo que estarmos em Lisboa e decidirmos ir tomar um banhito ao Algarve e voltar. Saímos um pouco tarde, pelo que chegámos lá já à hora de almoço (o trânsito para sair da cidade é um pouco desesperante, especialmente quando o Presidente se lembra de passar pelas mesmas estradas que nós, o que faz com que fechem as estradas e fiquemos algum tempo na berma, à espera que o presidente passe. De qualquer forma, Cabo Ledo é uma praia muito bonita, com palmeirinhas (imprescindíveis para termos alguma sombra). Quando chegámos, reservámos uma mesa para 7 e escolhemos logo o almoço, marcando para as três horas, esperando que assim a comida demorasse menos de uma hora a chegar. Fomos então tomar uma banhoca, besuntar-nos em creme, para passados 5 minutos estarmos à sombra, porque ao sol não se aguenta. A água, felizmente é mais fresca que no Brasil, mas é bem mais quente do que em Portugal. Pelo menos dá para refrescar. Às 15h lá estávamos nós no restaurante, tínhamos efectivamente uma mesa posta para 7, no entanto o almoço demorou mais de uma hora a chegar. Eu escolhi a lagosta grelhada. É maravilhosa!!! Só na última passagem de ano tinha provado lagosta pela primeira vez e foi cozida. Não tem nada a ver!!! Esta é mais pequena (pelo menos do que aquela que comi na passagem de ano, por isso vêm umas 3 ou 4), mas é muito, mas mesmo muito boa! Depois de almoço, para não nos pormos a caminho com a barriga cheia, fomos dar um passeio pela praia (ainda me doem as pernas, fomos bem longe, ainda passámos umas pedras onde a água já chegava, mas depois só dava mesmo para passar pela água, por isso voltámos para trás. Vimos o pôr do sol e o arco íris, porque entretanto chuviscou um pouco. Bem, o almoço a demorar, o passeio longo e o trânsito para entrar em Luanda foi tal, que por pouco chegávamos a Luanda a horas em que já não serviam jantar. Chegámos por volta das 21h, banhoca e jantar com as mesmas pessoas na ilha. Aí já acedi ao convite para sair à noite! Fui só com 2 colegas porque os outros foram para casa. Fomos ao Bay In. Tem uma vista fantástica de Luanda à noite (já que fica na ilha, em frente a Luanda) e é tipo um barzito simpático. Depois o motorista desses 2 colegas levou-me a casa às 2h da manhã (eles continuaram mais algum tempo).
Sábado fomos a uma cidade chamada Gabela. A viagem foi muito, mas mesmo muito longa. Saímos por volta das 8h e chegámos à 1h da manhã e acreditem que houve pouco tempo de “não-viagem”. A cidade é muito gira e foi ela que me fez acreditar que Luanda não transmite o que Angola é. As pessoas são muito simpáticas, pedem-nos para voltar muitas vezes (as estradas para lá são muito más, pelo que pouca gente não local, vai lá) e, ao contrário de Luanda, não se vêm brancos em lado nenhum. Parámos nas cachoeiras do Sumbe (lá perto), antes de chegarmos à cidade em si, que são lindas!

Cachueiras do Sumbe


Entretanto também parámos num mercadozito local onde comprámos fruta. Comprámos ananás a 0,50€!!! Não é normal, muito menos depois de estar habituado aos preços em Luanda. Eu já tinha percebido que as coisas eram todas muito caras e que em Luanda provavelmente abusavam um pouco por haver muitos não locais. Mas só quando vi a fruta àqueles preços é que percebi que eles abusam mesmo! A diferença não se explica!!! Carregámos um dos jipes com fruta. Era aquele em que ia, pelo que o resto da viagem foi feita com um cheirinho óptimo, só apetecia comer aquilo tudo. Na cidade fomos a um cafezito, inicialmente a pensar só beber um café e talvez comer uma coisita rápida… bem, em Angola não se pode esperar comer qualquer coisinha rápida… e como as pessoas eram tão simpáticas, acabámos por fazer um “lanche” de petiscos – chouriço assado, bifanas e tal. Depois pedimos café, descobrimos que não havia expresso, mas decidimos todos provar o café caseiro da senhora simpática! Era tão bom, que teve de vir mais um pouco. E o mais giro é que a senhora foi a casa buscar o serviço “pipi” para nos servir o café!!!! Todo com dourados e tal. Foi muito giro! Aquilo deve ser antiquíssimo e valioso, e no entanto a senhora achou que devíamos beber o café naquelas chávenas!
Quando saímos de lá, já estava bastante escuro (cá fica tipo breu às 18h, 18h30). A ideia era pelo menos fazer a parte inicial ainda de dia, porque a estrada era toda em terra e cheia de buracos. Mas como demorámos no “lanche” lá se foi a luz do dia! Além disso como estávamos no cimo de uma serra, ainda apanhámos algum nevoeiro. A certa altura, existe uma ponte e uma portagem no final. Íamos atrás de um carro que ameaçava mandar-se pela ponte a baixo a qualquer momento. O senhor ia de certeza podre de bêbedo e não conseguia pôr o carro a andar a direito. De tal forma que primeiro foi difícil acertar com uma via da portagem, depois de muito esforço conseguiu acertar naquela que estava fechada e tinha pins à entrada a indicá-lo. Depois de muita manobra difícil, conseguiu encontrar a faixa aberta e pagar a portagem. Parámos um pouco na beira da estrada para esticar as pernas e para os condutores mudarem e descansarem os olhos dos máximos que esta gente insiste em ter sempre acesos, mesmo quando passam por outros carros. Vieram os polícias das portagens. O primeiro queria que lhe pagássemos o fim-de-semana. Fingimos que tínhamos entendido que nos estavam a perguntar se o fim de semana tinha sido bom e dissemos “Sim, o fim de semana foi muito giro” depois chegou outro que nos disse que havia um espaço depois das portagens onde podíamos parar porque ali não era muito bom porque podíamos provocar um acidente (se os condutores não estivessem bêbedos não me parece que os carros corressem perigo na berma, mas pronto). É claro que eles puseram-se logo a andar para lá e é claro que não parámos depois das portagens porque provavelmente quereriam que lhes déssemos uma “gasosa”. Passados alguns quilómetros encontrámos o nosso amigo ligeiramente tocado. Por incrível que pareça não foi pendurado numa árvore ou no fundo duma ravina. Ainda ia a andar, mas continuava aos zig-zags. Mas ia devagar pelo que tivemos de fazer a perigosíssima manobra de o ultrapassar (é muito complicado aqui e muito mais complicado quando o gajo que vamos ultrapassar anda aos zig-zags, sem exagero em duas faixas - as únicas da estrada - sendo uma delas no sentido contrário). Lá nos safámos. Bem, chegámos tarde e fomos dormir. Tínhamos entretanto combinado encontrarmo-nos na praia no Domingo de manhã. Acordei sozinha às 7h da manhã, obriguei-me a dormir mais um pouco, mas às 8h levantei-me. Tomei banho, pequeno-almoço e fui ler para a sala à espera do Rui. Às 9h45 achei que devia acordar o Rui (na realidade nem sabia se ele cá estava ou não, mas acreditava que ele não me iria deixar em casa sozinha). Felizmente tem melhor acordar que eu e já me disse que prefere sempre que eu o acorde do que ficar à espera que ele acorde. Ás 10h30 estávamos na praia, na ilha. Os nossos companheiros do dia anterior não apareceram, mas estava lá a Inês e o namorado (a Inês mora na mesma casa que nós) e depois vimos o ZC e a sua família (um VP da Capgemini que veio permanentemente para Angola há mais de um ano). O RC viu mais não sei quantas pessoas conhecidas!!! Os administradores dos clientes, as pessoas com quem trabalhamos, vão todas para aquela praia, eu ainda não conheço muita gente, mas quase toda a gente que conheço lá estava! Lol. Foi um dos raros dias em que estava céu limpo! Isto é sempre muito quente, mas parece que é raro o céu estar limpo, normalmente está sempre nublado. Não se conseguia andar na areia, a água estava boa, dava para refrescar um pouco e não se consegue estar mais de 10 minutos na toalha sem estarmos novamente molhados (entretanto já secámos pelo meio)!!! A praia tem um chuveiro para podermos passar água doce pelo corpo depois dos banhos. Bem simpático, ah?! Vimos lá um senhor, que já tinha conhecido na KPMG, que foi colega do RC, que nos convidou para ir jantar a casa dele. Comida caseira para variar e a primeira parte do Sporting-Porto fizeram a noite.
Entretanto já temos programa para o próximo fim-de-semana – vamos à fazenda do pai dum colega da KPMG, que fica um pouco mais a norte e para o interior, relativamente a Luanda.
Pode parecer uma maravilha, mas a verdade é que se não fizermos todas estas coisas ao fim-de-semana, damos em doidos e isto fica uma seca pegada. Assim vai-se aguentando Luanda durante a semana.

Já agora deixo-vos a bela imagem que encontrei das primeiras vezes que fui ao escritório da KPMG! São hilariantes. Isto foi mesmo em frente à KPMG q fica perto do Porto de Luanda. O condutor deve ter feito a curva devagarinho e deu nisto!

"Pequeno incidente" com um contentor


Bem, chega de novidades de cá. Que se tem passado por Portugal? Têm de me informar!!!
Estou com saudades vossas! Ninguém comenta o meu blog!!!!! Fiquem bem.

Comentários

Filipa disse…
Olá olá ;)o teu blogue ta mt fixe! Conseguiste fazer-me inveja com esses relatos de cahoeiras e lagostas grelhadas :) Realmente depois de passares a semana td a trabalhar e ainda por cima nessa terra perdida, deve ser mt bom dar uns passeiozinhos e ficar a conhecer 1 bocadinho...
O dicionário de "angolês" ta mt bom!O meu colega que costumava ir mt para Angola já me contou imensas historias acerca das "gasosas" que eles tanto gostam aí...

Beijinhos grandes*

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